Estar em casa
com Adília Lopes

DO PRIVADO AO POLÍTICO

“Não é por acaso que ainda nenhuma mulher pôs o pé na Lua. Mas talvez seja uma mulher o primeiro ser humano a pôr o pé em Marte. Já agora que seja uma preta lésbica e deficiente. O século XX foi politicamente incorrecto, mas este século promete. Não estou a brincar, sou de facto optimista. Por isso a minha prosa é rosa, amorosa, pirosa, laranja e verde-alface.”
(Adília Lopes, 2001)

Não é por acaso que ainda nenhuma mulher conseguiu disputar os lugares de Camões e Pessoa na história da literatura portuguesa.

Mas talvez não seja por acaso se algum dia a Adília Lopes for reconhecida como a grande revolucionária da história da poesia portuguesa. Por ter provocado uma revolução que não se fez “nas praças / nem nos palácios” mas na “casa de banho / da casa / da escola / do trabalho” (AL, 1999).

Não é por acaso que este site quer ser a futura casa do que se sabe e se diz sobre a sua obra.

Porque não é por acaso que a obra adiliana constitui um excelente ponto de partida para revermos criticamente a sociedade globalizada e as suas crises. Porque “É preciso desentropiar / a casa / todos os dias / para adiar o Kaos” (AL, 2002).

E nunca será por acaso que “a poetisa é a mulher-a-dias / [que] arruma o poema / como arruma a casa / que o terramoto ameaça”, porque “o poema desentropia” (AL, 2002).

 

O II Colóquio Internacional “Estar em casa com Adília Lopes: do privado ao político” decorrerá entre os dias 30 de junho a 2 de julho, em formato maioritariamente virtual e com sede na Universidade de Vigo. Convidam-se investigadoras e investigadores que tenham interesse na obra da autora a apresentar uma proposta de comunicação até 20 de abril. A chamada de trabalhos completa pode ser consultada aqui.